SBT e Record transmitiram em conjunto a Copa de 1986: ‘Unidos venceremos’

Há 40 anos, em uma época em que a TV aberta reinava sozinha e a Globo, ao contrário da Copa de 1982, não teve o monopólio dos direitos do mundial, o SBT e a Record se uniram para transmitir a competição de 1986, no México. A concorrência foi bastante acirrada, mas a estratégia deu certo, como destacou a Folha de S.Paulo: “Ao contrário do Ibope, que divulga seus dados no dia seguinte ao evento que está sendo coberto, o Audi publica seus números semanalmente. Entre os dois institutos, existem também diferenças metodológicas. Enquanto o Ibope utiliza a amostragem por pesquisa de campo, a Audi-TV faz seu levantamento por meio de um aparelho acoplado a determinado número de televisores.”
Os dados apresentados pelo Ibope para o jogo de estreia da seleção brasileira contra a Espanha indicaram a Globo com 23%, a Record com 12%, o SBT com 7% e a Bandeirantes com 6%. A Manchete, inaugurada em 1983, também transmitiu a Copa, mas não é citada no levantamento.
A Record e o SBT apostaram em um marketing agressivo nos jornais e, juntas, consolidaram o segundo lugar, o que foi considerado uma vitória, na época, pois enfrentar a Globo não era fácil. A emissora do Rio colocou Osmar Santos, astro do rádio, para narrar na televisão, e apostou também na tecnologia. Pela primeira vez, um recurso eletrônico ajudou a sanar as dúvidas das jogadas mais polêmicas: surgiu o “tira-teima”, pois não havia VAR. Como na Copa anterior, havia a “câmera exclusiva”, que mostrava detalhes que iam além das imagens oficiais da Fifa e da TV mexicana.
O empresário e apresentador Silvio Santos, dono do SBT, também era proprietário da Record junto com a família Carvalho (da Jovem Pan). As duas emissoras criaram o slogan “Unidos venceremos”. O narrador Silvio Luiz, que ganhou destaque em 1982 nas transmissões feitas pela Rádio Record, era o chamariz da audiência. Com irreverência e muito bom humor, ele contava com o repórter Flávio Prado (até hoje na Pan). Depois de um gol, Silvio perguntava: “Flávio Prado, o que é que só você viu?”. Nas ruas, os torcedores repetiam os bordões do narrador, como “olho no lance”, “pelas barbas do profeta”, “o que eu vou dizer lá em casa” e “éééé mais um gol brasileiro, meu povo”. Os comentaristas eram Ciro José e Juca Kfouri. O repórter Jorge Kajuru, hoje senador, ficava do lado de fora dos estádios e acompanhava a movimentação da torcida. No intervalo, o saudoso José Luiz Menegatti apresentava os melhores momentos.
O SBT e a Record encomendaram charges ao cartunista Orlando Pedroso para incrementar as chamadas das transmissões publicadas nos jornais. As duas emissoras comemoraram os resultados da audiência. A Copa de 1986, vale lembrar, foi a primeira de Luciano do Valle na Bandeirantes. Ele montou uma grande equipe que virou referência. Nasceu o “Canal do Esporte”. Profissionais que trabalharam com ele na Globo migraram para Band, depois de uma rápida passagem pela TV Record. Luciano do Valle abriu espaço para ex-jogadores comentarem as partidas, como Pelé, Rivellino e Clodoaldo. Apesar do investimento da concorrência, o SBT e a Record marcaram época na transmissão da Copa de 1986, ficando em segundo lugar na audiência, atrás da Globo. Entretanto, a seleção, treinada por Telê Santana, não ajudou. A equipe foi eliminada nas quartas de final, em Guadalajara, pela França, em um jogo que só se resolveu nos pênaltis. A Argentina, de Maradona, foi campeã do mundo ao vencer a Alemanha, 3 a 2, no Estádio Azteca, o mesmo palco do tricampeonato do Brasil, em 1970.
Assista a estreia da seleção contra a Espanha, em Guadalajara, com a brilhante transmissão de Silvio Luiz. As imagens fazem parte do acervo do colecionador Fábio Marchezini, um dos maiores pesquisadores de TV do país.
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